O Avanço da Tecnologia e a Necessidade do Aperfeiçoamento Profissional

R – Newton C. Braga é considerado o maior autor de livros técnicos na área de eletrônica, mecatrônica, biônica e física no Brasil e um dos maiores do mundo, tendo vendido mais de 4 milhões de exemplares em diversos idiomas. Escreve seus livros diretamente em inglês tendo sido. Por esse motivo foi incluído no diretório ?Lista de autores contemporâneos da língua inglesa da Thomson-Gale?. Suas edições em inglês e português foram traduzidas para o russo, chinês, árabe, espanhol e turco e foram indicadas ou adotadas em diversas universidades do mundo inteiro, como a Queen Mary School da Universidade de Londres, Duke University, Universidade de Nevada, Universidade Islâmica da Tailândia, e muitas outras. Como diretor técnico da Revista Saber Eletrônica desde 1976 das revistas Eletrônica Total e consultor das revistas Mecatrônica Fácil, PC & CIA e Mecatrônica Atual, possui mais de 3.000 artigos publicados. Muitos artigos também foram publicados em revistas do exterior, principalmente nos Estados Unidos, na França e na Espanha. Newton C. Braga tem constantemente realizado palestras em escolas técnicas, universidades, empresas, eventos e em todos os locais onde os seus temas estejam sendo discutidos. Destacam-se as palestras na UNICAMP, UNISAL, SENAI, clubes de serviço (Rotary, Lions), além de eventos de universidades e empresas como a National Instruments, Texas Instruments, Escola Politécnica (FEBRACE) etc. Além dos temas relacionados com a tecnologia eletrônica, o prof. Newton é pesquisador em Biônica na Escola Paulista de Medicina (1970) e membro de Associação de Pesquisa Exológicas, tendo feito curso de observação astronômica. Biografia Newton C. Braga nasceu na Penha, São Paulo-SP, em 6 de novembro de 1946. Desde cedo manifestou interesse pela tecnologia e já aos 13 anos escrevia regularmente para revistas técnicas da época. Cedo também começou a lecionar tanto em cursinhos como em escolas técnicas. Estudou na escola Politécnica e nos Instituto de Física da USP e a partir de 1976 assumiu o cargo de diretor técnico da Editora Saber, cuidado das revistas Saber Eletrônica e Eletrônica Total. Durante todo esse período além da direção das revistas e da produção de artigos e livros, Newton C. Braga também proferiu centenas de palestras, participou de eventos e também lecionou em diversas escolas.

Professor Newton Braga, poderia nos falar um pouco de sua trajetória profissional?

R – Sempre gostei de escrever e fazer novos experimentos. Assim, desde muito novo já tinha uma seção em revista técnica onde publicava artigos e projetos que eu mesmo desenvolvia. Também dava aula de física e eletrônica em diversas escolas. Uma delas é o Instituto Monitor, para o qual renovei o curso de eletrônica em 1970, quando ainda estudava na Poli e no Instituto de Física da USP. Em 1976, quando a Revista Saber Eletrônica foi fundada, fui convidado para ser seu diretor e onde estou até agora, participando também de outras revistas como a Mecatrônica Fácil, Mecatrônica Atual e Eletrônica Total. Neste tempo todo também escrevi muitos livros e proferi várias palestras em escolas, universidades, entidades de todos os tipos.

Em que momento surgiu sua paixão pela eletrônica?

R – Surgiu no momento em que peguei o primeiro livro técnico sobre o assunto. Tinha apenas 11 anos na época, mas a possibilidade de ?reunir componentes em configurações que faziam alguma coisa´ me fascinou e desde então não parei de ler sobre o assunto e também estudar.

Poderia nos dizer quantos livros seus já foram publicados?

R – Tenho aproximadamente 120 livros publicados, sendo perto de 20 nos Estados Unidos, Rússia, China, Argentina, México, Países Árabes etc. Os livros publicados nos Estados Unidos não contam com versões em português pois foram escritos diretamente em inglês sob encomenda das editoras de lá, com as quais eu trabalho.

Ultimamente temos constatado que a tecnologia digital chegou de vez ao mundo da radiocomunicação. Estaria o rádio analógico perto do fim?

R – O mundo está se tornando digital, pois é a melhor forma de se aproveitar ao máximo a largura dos canais de comunicação que se tornam cada vez mais escassos. Para o rádio isso também deve ocorrer e de uma forma muito rápida, conforme já estamos vendo em nossos dias. Todas as mídias e formas de comunicação mesmo de som e imagem estão migrando para as tecnologias digitais para que possam ser utilizadas em todos os tipos de equipamentos.

Cada vez mais os aparelhos de comunicação incorporam funções e recursos de outras mídias. Qual, na sua visão, é a tendência das telecomunicações, tendo em vista o fenômeno da convergência?

R – Nesse campo, o mundo passa por uma transformação muito rápida. A troca de informações se torna cada vez mais importante para as pessoas e as novas tecnologias tendem a incorporar várias funções e recursos em todos os equipamentos possíveis, e na forma digital. O processo de convergência, que já está ocorrendo, faz com que o acesso à informação venha a ser predominantemente sem fio nos próximos anos, propiciando a mobilidade através da portabilidade, o que significa que as telecomunicações devem encontrar soluções que permitam abrigar todos os canais possíveis que devam ser utilizados. Além de novas técnicas de modulação que propiciam mais informações em canais cada vez mais estreitos, novas bandas que ultrapassam a faixa das microondas devem logo fazer parte dos nossos equipamentos de uso comum.

Qual sua opinião a respeito da possibilidade de serem criadas normas técnicas específicas para a área de serviços em radiocomunicação?

R – Paralelamente ao aparecimento de novas tecnologias para as telecomunicações devem ser criadas normas técnicas específicas para os serviços em que elas atuam. Ciências como a plasmônica, nanotecnologia, fotônica, moltrônica e outras que ainda devem aparecer, cujos nomes nem ainda existem, devem levar a uma infinidade de novos dispositivos que vão ocupar de forma cada vez mais intensa o espectro já congestionado das rádio-freqüências. Tudo isso vai ocorrer em seu tempo, com as normas sendo criadas paralelamente ao desenvolvimento dos dispositivos, à ocupação cada vez maior do espectro e de novos tipos de serviços.

Quais são seus comentários gerais sobre o mercado da radiocomunicação?

R – Agradecendo a oportunidade que tive de falar um pouco da minha carreira em seu órgão de divulgação, gostaria apenas de completar, comentando que em nossos dias e em nosso setor de trabalho as transformações tecnológicas são tão rápidas que um pequeno período de tempo que passemos sem nos atualizar pode significar o fracasso de nossos negócios ou mesmo de nossa carreira profissional. Hoje em dia é muito importante estarmos sempre atualizados e, mais do que isso, procurarmos uma educação continuada para que não nos tornemos obsoletos. Para o profissional das telecomunicações, por exemplo, temos uma taxa de obsolescência de 50% a cada dois anos. Isso significa que, ficar dois anos sem se atualizar leva o profissional a saber apenas metade do que ele precisa para manter sua competitividade no mercado. Com quatro anos, ele estará sabendo apenas 25% do necessário e isto poderá significar o seu fim como profissional da área.

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